sábado, 14 de novembro de 2009

A arte do desencontro.

(ao som de: Skank)

Alice conheceu Diogo quando tinham cinco ou seis anos. Eram vizinhos.
Tinha um brilho inesquecível. Nunca foi a mais bonita da sala, mas sempre brilhou mais do que todas as outras meninas.
Ele, sempre o mais tímido.
Não eram como irmãos, pois Diogo sentia que Alice era um pouco como a princesa das figuras dos livros.
A princesinha não via nada disso ainda. Enxergava-o apenas de modo especial e indefinível.
Quando descobriu que sentimento era esse, ele não entendeu. Disse que ela estava confundindo as coisas. Não era isso que todo mundo dizia?
Ela procurou outros amores. Achou os caras que procurava e os que não procurava.
Diogo se tornou um confessionário para ela. Beijos, aventuras, loucuras... Tudo era escutado com muita paciência e o ciúme sufocado com muita determinação.
Agora era ele quem desejava loucamente o amor eterno da sua princesa maculada.


Luana H.

sábado, 31 de outubro de 2009

O amor é o mal maior que existe.

(ao som de: Simone)

Acordou com o sol nascendo. Pensou que estivesse atrasada, mas logo se lembrou de que era sábado.
Não se lembrava muito bem da noite anterior (na verdade, não queria se lembrar), mas ainda sentia o estômago revirado.
No celular, duas ligações perdidas. Uma era de sua mãe. Sempre preocupada, procurava saber se Luiza ainda tinha a péssima mania de dormir com os cabelos molhados ou se, simplesmente, estava com saudades.
A outra ligação era de um número desconhecido. Se fosse mesmo importante, ligaria de novo.
Decidiu que colocaria a vida em ordem. Prometeu para si que não atenderia se fosse Gabriel. Estava magoada com o fato de não acontecer nada. Ninguém tem culpa, é verdade... Nem mesmo ele. Mas ela é humana! Sente necessidade de beijos, abraços, atenção, amor...
Tinha o ar de santa moderna, mas sofria muito. Será que ele não era capaz de perceber isso?
Escutou o celular tocar mas decidiu não ir até lá. Era ele e ela quebraria sua promessa se atendesse.
As lágrimas não caíam mais pois estavam todas a encharcando por dentro.
Correu para ver se era ele mesmo. O celular não tocava mais e por isso não havia risco de quebrar a promessa.
Uma mensagem a deixou surpresa:
''É melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho...''
Número desconhecido.

Luana H.

domingo, 11 de outubro de 2009

O que você demora é o que o tempo leva.

(ao som de: Adriana Calcanhoto)

A chuva caía insistente lá fora.
Pela janela via alguns carros passarem e desejava que um deles fosse o dele. Mas desejava também que este não apenas passasse.
Procurou dormir mas a cabeça girava e não a deixava adormecer. Pensava no encontro e em tudo que poderia ter feito.
Agora o estômago parecia ter aumentado e desejava sair. Como se toda ela fosse essa náusea de solidão.
Sabia que não conseguiria dormir e procurou distração. Pensou em ler o livro que deixou pela metade ou comer aquela torta de maçã que fizera antes de sair. Sentiu um peso na nuca e um enjoo profundo só de pensar em fazer qualquer dessas coisas. Sabia muito bem o que gostaria de fazer naquele momento...
Decidiu ligar o som e se deitar na sala.
A música não amenizava a sensação ruim. Muito pelo contrário. Tinha vontade de, como na música, quebrar xícaras e fazer o que mais fosse preciso.
Tudo isso para ser dona absoluta de um simples olhar dele.

Luana H.

sábado, 12 de setembro de 2009

Um outro olhar.

(Por: Franciellen)

Luisa estava quase imóvel, olhando por aquela janela que emoldurava o caminho que queria seguir. Dentro de si, a música já estava tão suave quanto sua respiração...
... E a cada dolorosa batida de seu coração, ela o desejava ali. Para sempre.
Uma vontade sufocante de chamá-lo subia e dava nó em sua garganta, calando-a. Das fotos, a aquarela coloria seu mundo. Das cartas, as palavras curavam seu coração.
E ansiosa, ela esperava sua volta... A volta da razão de cada sorriso seu.
Distante dali, ele só fazia pensar no brilho de Luisa e em tê-la em seus braços.



Franciellen.

sábado, 22 de agosto de 2009

É só um jogo.

(ao som de: Creed)

Meia dúzia de palavras fortes, caminho de casa, um beijo e tchau.
-Gostaria de ficar mais tempo contigo essa noite, mas...
-Não... Não se explique. Por favor.
-Você vai ficar brava? - Passou a mão pelo rosto que anunciava uma madrugada em claro. Mais uma - Triste?
-Não... Pode ir. - O choro machucou-lhe a garganta. - Boa noite.
Um olhar lateralmente magoado demonstrou o que ela sentia.
Era estranho, mas o semblante magoado de Luisa o fazia ter vontade de ir embora. Não para magoá-la, mas para contemplar aquele ar triste de princesa romântica que só o rosto dela era capaz de ter.
Ela quis se virar e pedir que ele ficasse. Pra sempre.
Pensou também em dizer que ficar em casa parecia impossível e que passaria a madrugada toda acordada e com um nó na garganta.
Duas voltas na fechadura e lá estava ela entregue ao que mais temia. À falta.
No rádio, a música parecia ter sido selecionada para o momento:
''This brings tears to my eyes
My Sacrifice...''
Inconscientemente, ela conhecia o jogo. A sua tristeza fazendo a poesia do instante. O jogo inofensivo da solidão.

sábado, 1 de agosto de 2009

1 ano!

1 ano de Sina Nossa!
Muito obrigada a todos que sempre estiveram comigo. De coração!

Grande beijo.

Luana H.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Busco quem somos.

(ao som de: O Teatro Mágico)

-E eu procuro mesmo.
O olhar dele se tornou mais curioso e surpreso. Achou que ela apenas sorriria e tomaria como um elogio. Assim como Lena faria.
-Não sei bem o que eu procuro. - Hesitou. - Acho que eu procuro o mundo em seus olhos.
O silêncio eternizou aquela declaração.
Não abaixou os olhos como imaginou que faria. Não ficou desconcertada e desastrada como imaginou. Estava inteira.
Ele sabia que se a declaração viesse de Lena teria um tom obsessivo, destruídor e opressivo. Com ela as palavras eram promessas. Eram dívidas.
Tudo era excessivamente intenso. Sufocante.
Ninguém pode viver assim, no seu limite o tempo todo.
-Você é doce, sabia?
-Eu? Doce? - Riu de um jeito calmo e encantador. - Se você diz, eu acredito.
-Tudo em você tem a medida certa. A doçura, o humor, a beleza...
-Tudo é muita coisa, meu caro.

Luana H.